Palavra do Bispo

Os biomas brasileiros

Muitas pessoas perguntam o que significa “bioma”, que faz parte do tema da Campanha da Fraternidade deste ano de 2017. Como significado, bioma é o conjunto dos seres vivos de uma área. É entendido também como o conjunto de ecossistemas terrestres, como comunidade de plantas e animais de uma mesma formação, bem identificados em áreas diversas do território brasileiro.

A Campanha da Fraternidade, organizada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), fundamenta o tema com o texto bíblico, “Cultivar e guardar a criação” (Gn 2,15), para dizer que toda espécie de vida presente no território brasileiro depende do respeito e conservação da terra. O caminho de libertação e salvação passa pela terra, porque ela é fonte de sustentação da vida.

O Texto Base da Campanha identifica seis biomas no país: Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pantanal e Pampa. Cuidar de cada um deles significa cuidar da “casa comum”, nos dizeres do Papa Francisco. Sabemos da permanente destruição de cada um deles de forma irresponsável, sem medir as consequências que isso poderá trazer para o futuro das gerações.

A Igreja tem se preocupado com essas questões que afetam a vida e a dignidade das pessoas no Brasil. Não podemos deixar passar despercebido, sem denunciar, os sofrimentos ocasionados à natureza, no caso aqui, os biomas. Suas riquezas naturais são muito atraentes, mas também desrespeitadas. No início, acabaram com o pau-brasil, os índios foram e continuam sendo ceifados.

Hoje sobram destruições, desertos artificiais, desmatamento indiscriminado, que afeta fauna e flora, deslocamento da população e animais, doenças e exploração de todo tipo. Todos nós sofremos com tudo isso. Natureza agredida torna-se agressora, e as consequências ultrapassam nossas expectativas. O que era natural na conservação da vida vai se tornando genérico, artificial e agressão à vida.

Agora é saber para onde caminhamos e o que nos espera no futuro. Ainda é tempo de reconstruir a esperança. A Quaresma é para isso, tempo de mudar de rumo naquilo que afeta a dignidade da vida, seja dos biomas como de toda a natureza. É realmente um processo de conversão, de saída de critérios irresponsáveis para possibilitar a realização dos reais objetivos da criação.

E o Lixo doméstico!

Dom Severino Clasen
Bispo Diocesano de Caçador
Presidente da Comissão Episcopal de Pastoral para o Laicato

 “O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a própria vida como resgate por muitos” (Mt 20,28).

As pessoas dos tempos modernos, vítimas do aceleramento provocado pelas novidades eletrônicas e redes sociais, deve ser alertado ao que produz e o que conduz os comportamentos.

Mudanças de hábitos, evolução nas tecnologias, rapidez na comunicação, controle das massas e direção de ideologias, escassez do cuidado pelo outro e pela outra e o perigo da insensibilidade diante do natural e natureza. São algumas vertentes que provocam mudanças de costumes. A rapidez, a necessidade da novidade, produz sobras e muitas sobras em nossas casas e em todo lugar. Onde colocamos o lixo produzido em alta escala, em vista das sobras e a sede pela novidade?

Diz o texto Base da CF 2016: “Um dos aspectos do saneamento básico é o destino dos resíduos líquidos e sólidos. Esses resíduos que chamamos de lixo são produzidos pelas indústrias, mas são produzidas diariamente também pela população em quantidade cada vez maior.

A redução da produção de lixo é um dos primeiros objetivos da nossa contribuição ao saneamento básico. Diminuir o volume de lixo é um hábito cada vez mais urgente e o processo começa com as escolhas que cada um faz. Planejar as compras, usar sacolas retornáveis, evitar as embalagens descartáveis, escolher produtos com menos embalagem, comprar produtos não descartáveis, substituir os copos descartáveis, cozinhar somente o que será consumido, dentre outras medidas, evita o desperdício e reduz a geração de resíduos. Todas as pessoas sabem que quando jogamos algo fora, simplesmente o depositamos em outro lugar”. (ns. 90 e 91).

O desenvolvimento humano se revela pela capacidade de ordenar e conviver com liberdade, produzindo limpeza, com segurança e garantias de saúde e bem estar. “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca” (Am 5,24). A vida deve ser colocada no topo dos objetivos da nossa missão, da nossa preocupação e de toda ocupação. Diz o Papa Francisco na sua carta para o Ano Jubilar. “Um dos graves problemas do nosso tempo é certamente a alterada relação com a vida. Uma mentalidade muito difundida já faz perder a necessária sensibilidade pessoal e social pelo acolhimento de uma nova vida”. Vida não é lixo, não pode ser descartada. O meio ambiente não é lixo, não pode ser descartado. As coisas que usamos devem ter encaminhamento e relocação.

A Campanha da Fraternidade faz sentido por que olhamos com sensibilidade e cuidado para todas as coisas e sejam ordenadas para que o ser humano tenha condições de servir a si mesmo, aos outros e a natureza, tudo é criatura e o único criador é Deus.

O mesmo Deus que beneficiou e beneficia toda a criatura, deu seu Filho por amor. Este entregou sua vida por todos nós para que cada ser criado conhecesse os dons e dádivas existentes e aprenda a ordenar tudo o que o mestre ensinou. Nem a morte foi descartada para que do lixo humano coberto pela vaidade, mesquinharia, orgulho, luxúria vencesse, mas no fim, a morte foi tragada e a vida venceu.

Na manhã da Páscoa queremos ressurgir com nova sensibilidade e muito mais cuidado com tudo o que ocupamos, o que nos servimos e o que produzimos. Vida faz brotar o novo, o resplendor e luz para que brilhemos com as boas obras, cuidando, protegendo a “Nossa Casa Comum”. Esta é nossa responsabilidade e a nossa meta.

Que a quaresma nos encoraje para essas boas obras e não sejamos sufocados pelos lixos e resíduos que nos sufocam, nos adoecem e nos matam. A vida deve prevalecer e vencer todas as tentações e toda a luxúria.

Que o Espírito Santo nos impulsione para esse novo jeito de viver e através da oração, da escuta da Palavra de Deus, na reconciliação penitencial e na participação dos exercícios das obras corporais e espirituais protegemos a nossa casa.

EvangeliJá

Prezados Irmãos e Irmãs,
Paz em Cristo!

Aproxima-se a celebração do nascimento de nosso Senhor Jesus Cristo. Tempo de renovação dos sentimentos de Esperança, Alegria e Fraternidade. Abramos o coração para que Ele nos visite e manifeste a Sua vontade.
Faz alguns anos que a Igreja no Brasil realiza a “Campanha da Evangelização”, com o objetivo de conscientizar os cristãos de sua missão e responsabilidade em ajudar na tarefa de evangelização.

A Campanha termina no dia 13 de dezembro, com um gesto concreto que é a “ Coleta para a Evangelização “.
A finalidade da Coleta é ajudar as Pastorais e Movimentos Missionários da Diocese, no trabalho de formação e evangelização.

“Todos somos responsáveis também pela manutenção econômica do anúncio da Boa Nova”. Portanto, sejamos generosos(as) na contribuição para essa “Coleta para a Evangelização”.
Ponha sua oferta no envelope e devolva na Igreja ou na Secretaria. Que esta oferta simbolize o seu presente ao Menino Jesus, para que Sua mensagem seja anunciada.
Deus os(as) abençoe e recompense.

Aproveito a oportunidade para lhes enviar minha bênção e desejar um feliz e abençoado Natal.
“Por Cristo, com Cristo e em Cristo!”
+ Paulo Romeu Dantas Bastos
Bispo Diocesano

Misericordiosos como o Pai

Alagoinhas(BA), 22 de novembro de 2015.

Prezado Irmão, Prezada Irmã,
Paz em Cristo!

“ MISERICORDIOSOS COMO O PAI ”

O Papa Francisco, surpreendendo toda a Igreja, instituiu o “Jubileu Extraordinário da Misericórdia”.

Significa dizer que, a partir de 08 de dezembro de 2015, Festa da Imaculada Conceição, até 20 de novembro de 2016, Festa de Cristo Rei, estaremos vivendo um “ANO SANTO “.

A Igreja de Alagoinhas, em sua Missão de Serva e Companheira do Povo, neste Ano Santo, deverá mostrar o Rosto Misericordioso de Deus, revelado a nós em Cristo Jesus, nosso Senhor.

Com esta iniciativa a Igreja, através do Papa Francisco, quer que:

a) Abramos nosso coração à escuta da Palavra de Deus e deixemo-nos conduzir pela virtude da Misericórdia.
b) Sejamos “Misericordiosos” com os irmãos e irmãs, como Ele é Misericordioso conosco.
c) Experimentemos o Amor de Deus, e cantemos com o Salmista: “Demos graças ao Senhor, porque eterna é a Sua Misericórdia!” (Sl 136).
d) Recebamos a “ Indulgência “ – Clemência/Perdão de Deus, pelos erros e ofensas cometidos.
e) Manifestemos a Ternura do Bom Pastor: nas atitudes do coração, nas ações pastorais, nos encontros com as Comunidades e com o Povo.
f) Convidemos todos, indistintamente, a aproximar-se da Fonte da Misericórdia, que é Cristo Jesus, sobretudo, através do Sacramento da Eucaristia e da Reconciliação.
g) Acolhamos as “Surpresas” que o Senhor nos oferece, a fim de proclamarmos, com Alegria e Esperança, a Sua Misericórdia.
h) Façamos uma Peregrinação para passar pela Porta Santa , deixando-nos “abraçar pela Misericórdia de Deus”.

“Este é o momento favorável para mudar de vida! Este é o tempo de se deixar tocar o coração. Diante do mal cometido, mesmo crimes graves, é o momento de ouvir o pranto das pessoas inocentes espoliadas dos bens, da dignidade, dos afetos, da própria vida. Permanecer no caminho do mal é fonte apenas de ilusão e tristeza. A verdadeira vida é outra coisa. Deus não se cansa de estender a mão. Está sempre disposto a ouvir, e eu também estou, tal como os meus irmãos bispos e sacerdotes. Basta acolher o convite à conversão e submeter-se à justiça, enquanto a Igreja oferece a Misericórdia.” (Misericordiae Vultus, 19)

Na Celebração de Abertura, na Catedral de Santo Antônio, anunciarei as “ SEIS IGREJAS PAROQUIAIS”, escolhidas para Peregrinações: (Alagoinhas – Catedral Santo Antônio, Nova Soure – N. Srª. da Conceição, Crisópolis -Santuário Divina Misericórdia, Pojuca – Bom Jesus da Passagem, Acajutiba – N. Srª. das Candeias, Conde – Santuário N. Srª. do Monte), para que, em toda a Diocese, o Povo tenha possibilidade de fazer sua Peregrinação, atravessar a Porta Santa, deixar-se abraçar pela Misericórdia de Deus e comprometer-se a ser misericordioso.

Maria de Nazaré, a “ Mãe da Misericórdia “, nos acompanhe, neste Ano Santo, com a doçura do seu olhar, e nos ajude a viver na Alegria e na Misericórdia.

Com minha bênção pastoral “ Por Cristo, com Cristo e em Cristo! “.

† Paulo Romeu Dantas Bastos
Bispo Diocesano

Misericórdia: Cuidar dos caídos

A misericórdia pode ser entendida como o “voltar-se” para a miséria do outro, suscitando atitudes e obras que, necessariamente, fazem a pessoa sair de si para ir ao encontro do caos no qual o outro vive. Sim, “caos”, porque é a desordem de uma situação ou de vida que coloca alguém na necessidade de uma ajuda, de uma intervenção: de alguém que se aproxime. Usar de misericórdia é praticar o amor ao próximo como se lê na parábola do Bom Samaritano. (Lc 10, 25-37).

Jesus conta a parábola no contexto do seu discurso sobre o amor ao próximo. O Mestre da Lei provoca-o com a pergunta: E quem é o meu próximo? (v. 29). Jesus narra a situação do homem ferido que é cuidado por um samaritano de passagem. Quando escutamos o relato, podemos imaginar que o próximo é aquele homem que caiu nas mãos de assaltantes e ficou ferido na beira do caminho, mas não é. Quando questionado sobre quem era o próximo do homem caído, o Mestre da Lei responde: “Aquele que usou de misericórdia.” (v. 37) – o samaritano.

A mensagem da parábola está além do ensinar um modelo para nos comportarmos e tratar dos outros. O texto revela como Cristo cuida de nós. É ele o Divino Samaritano da parábola, o qual está em viagem pelo mundo e vê os caídos no caminho. Ele é movido pelo seu coração que se volta para a miséria daquele homem ferido. São Beda, o “Venerável”, dirá que o homem caído representa Adão ferido pelo pecado, jogado para fora do Paraíso. O sacerdote e o levita que passam e não o socorrem representam a tradição e a Lei que não conseguem fazer nada por Adão. O samaritano viu o caído e se aproximou. É o olhar de Deus que vê o sofrimento de seu povo e desce para libertá-lo. Ele cuida da humanidade chagada. Pelas feridas se perde o sangue, se perde a vida. Sua proximidade e seu toque cicatrizam as feridas mortais do ser humano.

Ele conduz o caído à hospedaria. A hospedaria é a imagem da Igreja, lugar onde os irmãos se recolhem em Cristo, o escutam e aprendem a chamar Deus de Pai. Nessa Casa qualquer um recebe hospitalidade, pois a estadia foi paga antecipadamente na cruz pelo Divino Bom Samaritano. Ele dá uma missão para a hospedaria: Cuidem dos feridos no caminho! Essa é a missão da Igreja que continua a missão do Samaritano. É a ordem de Jesus. O que for gasto a mais será pago no seu retorno. O amor deve ser investido para render.

Como naquele tempo, também hoje, longe do amor de Deus, o ser humano cai entre aqueles que lhe roubam a roupa e o deixam quase morto. Depois, fica sozinho, isolado, caído na sarjeta da vida. Uns caem porque querem, outros são derrubados e há os esquecidos e excluídos. A falta de amor a Deus e ao outro leva a uma situação de quase morte, à miséria.

O mandamento do amor é traduzido aqui como misericórdia. É ela que define a verdade do ser humano na sua relação com Deus, com os outros e consigo mesmo. Na parábola do Bom Samaritano, o especialista em leis pergunta a Jesus o que fazer para herdar a vida eterna. (v. 25). Herdar não é conquistar; herança é o que o filho recebe do pai. O especialista entende o que é preciso para ter essa herança, mas não pratica. Sabe, mas não escuta. O amor ao próximo deve ser um caminho para amar a Deus plenamente. A vida está ligada ao fazer o que Jesus disse e, antes de tudo, o que praticou. Cumprir a sua Palavra é herdar a vida de Deus que é amor.

Como na Parábola do Bom Samaritano, é preciso dirigir um novo olhar sobre a realidade dos outros. Jesus pede que o Mestre da Lei esteja próximo do outro, que vá além de todo limite como faz o Pai misericordioso. Jesus conclui a parábola dizendo: “Vai e faz a mesma coisa.” (v. 37). Isto é, como Cristo cuida de nós, também nós devemos cuidar dos outros, porque só assim seremos misericordiosos como o Pai.

A Missão é força transformadora da Igreja

Iniciamos o mês de outubro, mês dedicado às missões, mês do Rosário, mês da Padroeira do Brasil, mês das crianças. Depois de vivenciarmos com disposição o mês da Bíblia, tendo-a nas mãos, a Palavra de Deus colocada no coração, agora, pomos os pés na missão. Somos chamados a partilhar, com os irmãos e irmãs, o dom da Palavra que acolhemos em missão. O rosto missionário da Igreja possa resplandecer em todas as nossas paróquias, comunidades, pastorais, movimentos e serviços. Sejamos Igreja em estado permanente de missão, “Igreja em saída”, “Igreja solidária” que vai ao encontro de todos, especialmente dos que mais sofrem, para compartilhar a alegria do Evangelho!

Neste domingo, dia quatro de outubro, dia de São Francisco de Assis, que cantava “louvado sejas, meu Senhor, pela nossa irmã, a mãe terra, que nos sustenta”, o trecho do Evangelho (Mc 10,2-16) trata do valor do matrimônio e de sua indissolubilidade, a ser vivido na fidelidade, como “uma só carne”, segundo a vontade do Criador (Mc 10,7), conforme o ensinamento de Jesus aos seus discípulos. A família tem sua raiz no próprio plano de Deus. Na Criação (Gn 2,18-24) é ressaltada a unidade inseparável que une homem e mulher na vida conjugal. Pela graça de Cristo, cada casal pode cumprir o desígnio do Criador, permanecendo como “uma só carne”, nas diversas situações da vida familiar.

Perguntamo-nos: “Que tipo de mundo queremos deixar aos nossos filhos (cf. Laudato si’, 160)? Não podemos responder, sozinhos, a esta pergunta. É o Espírito que nos chama e desafia a respondê-la com a grande família humana. A nossa casa comum não pode mais tolerar divisões estéreis. O desafio urgente de proteger a nossa casa inclui o esforço de unir toda a família humana na busca de um desenvolvimento sustentável e integral, pois sabemos que as coisas podem mudar (cf. ibid., 13). Que os nossos filhos encontrem em nós pontos de referência para a comunhão! Que os nossos filhos encontrem em nós pessoas capazes de se associarem com outras para fazer florir todo o bem que o Pai semeou”, ensina o papa Francisco.

Precisamos escutar o que Deus tem a dizer sobre a família e o matrimônio. O matrimônio entre cristãos é sinal, é sacramento do amor entre Cristo e a Igreja. São Paulo explica este mistério de modo belíssimo no capítulo quinto da Carta aos Efésios: marido e mulher devem se amar como Cristo e a Igreja (cf. Ef 5,21-32). Que o Senhor socorra as famílias e fortaleça no amor os esposos, pais e filhos, cristãos.

No Vaticano, neste dia 04 de outubro, o Papa Francisco faz a abertura da 14ª Assembleia Ordinária do Sínodo dos Bispos que se estende até o próximo dia 25, tendo como tema “a vocação e a missão da família na Igreja e no mundo contemporâneo”. O Sínodo ressalta o valor do matrimônio e da família, à luz da Palavra de Deus e do Magistério da Igreja, procurando oferecer propostas pastorais para os desafios que os casais e as famílias enfrentam na atualidade. A Igreja considera que a família merece um lugar destacado nas preocupações dela mesma, mas também dos governos e responsáveis pela vida dos povos.

Rezemos pelo Sínodo, pelas famílias, pelos missionários, pelo Brasil e por todos os que lutam e caminham pela paz. Que a Mãe Aparecida, padroeira do Brasil, nos guie, nos encoraje e nos ajude a viver em família e em permanente estado de missão.

Por que setembro é o mês da Bíblia?

A Igreja celebra o mês da Bíblia: um jardim florido com as flores de Deus.

Pe. Lucas de Paula Almeida, CM – Por causa do aniversariante São Jerônimo, dia 30 de setembro, autor no Século IV da tradução latina da Bíblia, e grande estudioso e apaixonado pela Sagrada escritura.

Desde a majestosa simplicidade da História dos Primórdios nos primeiros capítulos do Gênesis, a vocação de Abraão, a era dos patriarcas, o Êxodo, dominado pela figura empolgante de Moisés, e a grande gesta do deserto, das maravilhas de Deus, da Aliança do Sinai.

Depois, os juizes e os reis, com as figuras inexcedíveis de Davi e Salomão. E a divisão do povo em dois reinos: O de Judá e de Israel. O Exílio na Babilônia e a volta e a recomposição.

Tudo isso iluminado pela Palavra dos profetas, que iam mostrando o sentido das coisas de Deus para além das vicissitudes das guerras e do domínio da terra. E tudo cantado em canções de louvor, de súplica e às vezes de dor e contrição. São os Salmos, cuja poesia não é superada por nenhuma poesia humana.

Depois vem o Novo Testamento, quando Deus, “depois de ter falado mil vezes e de modos aos Pais pelos profetas, falou definitivamente no filho a quem constituiu herdeiro de todas as coisas e pelo qual fez os séculos” (Hb 1,1s). Nada mais sábio nem mais santo do que o livro do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, nas quatro redações dos sinóticos e de São João, continuando depois como que num eco de vida e de eficácia no Livro dos Atos dos Apóstolos e nas cartas de São Paulo e de outros apóstolos, terminando com o Apocalipse, que é um cântico de vitória e de esperança.

Na Bíblia, Deus nos revela por meio de palavras e de acontecimentos intimamente entrelaçados, de tal sorte que as obras ajudam a manifestar e confirmar os ensinamentos e realidades significadas pelas palavras; e estas, por sua vez, proclamam as obras e elucidam o mistério nelas contido (cfr DV 2/162). E Deus se serve de autores humanos, por Ele inspirados e de linguagem humana e até dos gêneros literários usados em cada época para nos manifestar a sua verdade. É o que São João Crisóstomo chamou de “Divina Condescendência”. Deus desce até nós. Fica perto de nós.

O Mês da Bíblia há de nos ajudar a nos familiarizarmos sempre mais com o texto sagrado, não só pela leitura que deles se faz na liturgia, mas em nossas leituras e meditações pessoais ou nos círculos Bíblicos e grupos de reflexão que hoje fazem crescer tanto a Igreja, alimentada com a Palavra de Deus. E seria muito importante nos lembrarmos de que o Espírito não só inspirou os autores sagrados para que escrevessem os livros, mas continua de algum modo misterioso a inspirar a Igreja e os fiéis, quando lemos esses livros. Por isso mesmo, não se lê a Sagrada Escritura apenas por uma curiosidade científica ou para deleite estético. É um falar com Deus.

Lembramo-nos de que assim se estabelece colóquio entre Deus e o homem, uma vez que ” A Ele falamos quando rezamos e a Ele ouvimos quando lemos os divinos oráculos” (Santo Ambrósio , apud DV 25/196).

O Reino de Deus na Palavra

Neste mês dedicado à Palavra de Deus, continuaremos a refletir sobre a importância de termos familiaridade com a Sagrada Escritura, pois nela está contido o anúncio do Reino de Deus, do projeto universal de salvação e de libertação, de verdade e de amor, de paz e de justiça, destinado a tornar-se realidade na história presente através das obras do Messias e Senhor.

Semelhante a uma semente pequenina, escondida sob a terra, o Reino de Deus germina, cresce e se transforma numa árvore gigantesca. Encoraja-nos olharmos para o horizonte com a grande esperança de podermos contemplar os raios de luz da aurora de um novo dia quando não existirá mais a morte, nem luto, nem aflição, nem choro, nem dor, nem lamento ou cansaço. Então, aparecerá a cidade da paz e da luz, da vida e do amor, a Jerusalém celeste. Nela, Deus será tudo em todos, porque, através da morte e ressurreição de Cristo, nasce a nova humanidade feita dos filhos adotivos de Deus, que o invocam como Pai, dando origem a uma nova criação “libertada da escravidão e da corrupção” e destinada a “entrar na liberdade da glória dos filhos de Deus” (Rm 8,21).

Com a interpretação no Espírito Santo, a Bíblia aparece como o grande livro não somente de Deus, mas também dos seus filhos, redimidos do pecado e da morte. Nela, podemos encontrar a fonte de nossa vida e de uma espiritualidade que irradia as nossas ações do dia-a-dia.

Na vida da Igreja, a Palavra de Deus está no coração da liturgia, onde é proclamada, comentada, meditada e atualizada para responder aos anseios do povo de Deus que peregrina para a casa do Pai, a Jerusalém celeste. Ela é também a alma do anúncio da fé e da catequese; é o alimento da vida espiritual de todos aqueles que querem aprofundar a comunhão com o Senhor através da sua leitura, meditação e reflexão. Quando esta Palavra de Deus é acolhida no nosso coração e na nossa vida, ela poderá se tornar o caminho, a verdade e a vida do cristão no caminho da sua existência e na luz da sua presença.

O amor é a nossa missão: A família plenamente viva!

A Semana Nacional da Família do ano de 2015 será celebrada entre os dias 9 e 15 de agosto, em todas as paróquias e comunidades do Brasil. E para reflexão escolheu-se o tema, “O amor é a nossa missão: a família plenamente viva.” E ao cremos no amor como nossa missão, e que esta missão é o meio de sermos completamente vivos e alcançarmos a realidade para a qual fomos criados. Acreditamos que este amor deve ser ensinado, compartilhado e comunicado na família e por ela; que é a igreja doméstica. Cremos que a família compartilha a missão de toda a Igreja, porque as famílias constituem o fundamento para todas as outras formas de comunidade. As famílias são igrejas domésticas, lugares no quais os pais auxiliam os filhos a descobrirem que Deus os ama e tem um plano para a vida de cada um.

Para sermos uma família plenamente viva, precisamos entender que todo amor dá frutos. E que embora nem todos tenham sido chamados ao matrimônio ainda assim podemos ser uma família viva. Afinal nem todos são chamados ao matrimônio. Mas toda vida é destinada a ser fecunda. Toda vida tem o poder e a necessidade de nutrir nova vida – se não for por meio da geração e criação de filhos, então por outros meios vitais de doação, de realização de obras e de serviço. Assim a Igreja é uma família com diferentes vocações, cada uma distinta, mas cada uma necessita das outras e se apoiam mutuamente.

A grande importância da família se dá porque a família é uma escola de amor, justiça, compaixão, perdão, respeito mútuo, paciência e humildade em meio a um mundo encoberto pelo egoísmo e o conflito. Neste sentido, as famílias ensinam o que significa ser humano. Contudo, são muitas as tentações que surgem procurando nos induzir a esquecer que o homem e a mulher foram criados para a aliança e a comunhão. A pobreza, a ostentação da riqueza, a pornografia, a contracepção, além dos erros de natureza filosófica e intelectual são exemplos de elementos que podem suscitar contextos de desafio ou ameaça para a vida saudável da família. A Igreja resiste a tudo isso em nome da proteção da família.

E para concretizar a nossa missão como família, Deus nos fez todos com um propósito, Seu amor é a nossa missão. Esta missão nos capacita a encontrarmos nossa verdadeira identidade. Se escolhermos abraçar esta missão, teremos uma nova perspectiva em relação a muitas questões, não somente em relação à família. Viver a missão da igreja doméstica significa que as famílias católicas, por vezes, viverão como minorias, com valores distintos daqueles da cultura à sua volta. Nossa missão de amor nos exigirá coragem e fortaleza. Jesus nos chama, e podemos dar a resposta optando pela vida de fé,

Esperança, amor, alegria, serviço e missão.

Santa Marta, modelo ativo de quem acolhe

No dia 29 lembramos a vida de Santa Marta, que tem seu testemunho gravado nas Sagradas Escrituras. Padres e teólogos encontram em Marta e sua irmã Maria, a figura da vida ativa (Marta) e contemplativa (Maria). O nome Marta vem do hebraico e significa “senhora”.

No Evangelho, Santa Marta apresenta-se como modelo ativo de quem acolhe: “… Jesus entrou em uma aldeia e uma mulher chamada Marta o recebeu em sua casa” (Lc 10,38).

Esta não foi a única vez, já que é comprovada a grande amizade do Senhor para com Marta e seus irmãos, a ponto de Jesus chorar e reviver o irmão Lázaro.

A tradição nos diz que diante da perseguição dos judeus, Santa Marta, Maria e Lázaro, saíram de Bethânia e tiveram de ir para França, onde se dedicaram à evangelização. Santa Marta é considerada em particular como patrona das cozinheiras e sua devoção teve início na época das Cruzadas.

Santa Marta, rogai por nós!