Palavra do Bispo

Santa Marta, modelo ativo de quem acolhe

No dia 29 lembramos a vida de Santa Marta, que tem seu testemunho gravado nas Sagradas Escrituras. Padres e teólogos encontram em Marta e sua irmã Maria, a figura da vida ativa (Marta) e contemplativa (Maria). O nome Marta vem do hebraico e significa “senhora”.

No Evangelho, Santa Marta apresenta-se como modelo ativo de quem acolhe: “… Jesus entrou em uma aldeia e uma mulher chamada Marta o recebeu em sua casa” (Lc 10,38).

Esta não foi a única vez, já que é comprovada a grande amizade do Senhor para com Marta e seus irmãos, a ponto de Jesus chorar e reviver o irmão Lázaro.

A tradição nos diz que diante da perseguição dos judeus, Santa Marta, Maria e Lázaro, saíram de Bethânia e tiveram de ir para França, onde se dedicaram à evangelização. Santa Marta é considerada em particular como patrona das cozinheiras e sua devoção teve início na época das Cruzadas.

Santa Marta, rogai por nós!

Maria, a mãe do Carmo e do Carmelo

Ao olharmos para a história da Igreja encontramos uma linda página marcada pelos homens de Deus, mas também pela dor, fervor e amor à Virgem Mãe de Deus: é a história da Ordem dos Carmelitas, da qual testemunha o cardeal Piazza: “O Carmo existe para Maria e Maria é tudo para o Carmelo, na sua origem e na sua história, na sua vida de lutas e de triunfos, na sua vida interior e espiritual”.

Carmelo (em hebraico, “carmo” significa vinha; e “elo” significa senhor; portanto, “Vinha do Senhor”): este nome nos aponta para a famosa montanha que fica na Palestina, donde o profeta Elias e o sucessor Elizeu fizeram história com Deus e com Nossa Senhora, que foi prefigurada pelo primeiro numa pequena nuvem (cf. I Rs 18,20-45).

Estes profetas foram “participantes” da Obra Carmelita, que só vingou devido à intervenção de Maria, pois a parte dos monges do Carmelo que sobreviveram (século XII) da perseguição dos muçulmanos, chegaram fugidos na Europa e elegeram São Simão Stock como seu superior geral; este, por sua vez, estava no dia 16 de julho intercedendo com o Terço, quando Nossa Senhora apareceu com um escapulário na mão e disse-lhe: “Recebe, meu filho, este escapulário da tua Ordem, que será o penhor do privilégio que eu alcancei para ti e para todos os filhos do Carmo. Todo o que morrer com este escapulário será preservado do fogo eterno”.

Vários Papas promoveram o uso do escapulário e Pio XII chegou a escrever: “Devemos colocar em primeiro lugar a devoção do escapulário de Nossa Senhora do Carmo – e ainda – escapulário não é ‘carta-branca’ para pecar; é uma ‘lembrança’ para viver de maneira cristã, e assim, alcançar a graça duma boa morte”.

Neste dia de Nossa Senhora do Carmo, não há como não falar da história dos Carmelitas e do escapulário, pois onde estão os filhos aí está a amorosa Mãe.

Nossa Senhora do Carmo, rogai por nós!

Nossa Senhora do Perpétuo Socorro: Mãe que apoia, protege e acolhe

Na ilha de Creta havia um quadro da Virgem Maria muito venerado devido aos estupendos milagres que operava. Certo dia, porém, um rico negociante, pensando no bom preço que poderia obter por ele, roubou-o e levou-o para Roma.

Durante a travessia do Mediterrâneo, o navio que transportava a preciosa carga foi atingido por terrível tempestade, que ameaçava submergi-lo. Os tripulantes, sem saber da presença do quadro, recorreram a Virgem Maria. Logo a tormenta amainou, permitindo que a embarcação ancorasse, sendo salva num porto italiano.

Algum tempo depois, o ladrão faleceu e a Santíssima Virgem apareceu a uma menina, filha da mulher que guardava a pintura em sua casa, avisando que a imagem de Santa Maria do Perpétuo Socorro deveria ser colocada numa igreja.
O milagroso quadro foi então solenemente entronizado na capela de São Mateus, em Roma, no ano de 1499, e aí permaneceu recebendo a homenagem dos fiéis durante três séculos, até que o templo foi criminosamente destruído. Os religiosos se dispersaram e a santa caiu no esquecimento.

Finalmente, em 1866, a milagrosa efígie foi conduzida triunfalmente ao seu atual santuário por ordem do Santo Padre, que recomendou aos filhos de Santo Afonso de Ligório: – “Fazei que todo o mundo conheça o Perpétuo Socorro”.

A devoção ao ícone de Nossa Senhora

O quadro de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro constitui um admirável ícone oriental. Com termos de origem grega (“eikón”), que significa imagem, pintura ou quadro. Trata-se de uma pintura sagrada, feita em madeira, segundo técnicas e tradições seculares. Os ícones podem representar Jesus Cristo, a Virgem Maria, os Anjos ou os Santos. Obedecem a normas bem precisas sob o ponto de vista artístico e teológico.

Possuem como fundamento a encarnação do Verbo de Deus. A encarnação é o mistério cristão básico no qual a Igreja reconhece que a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade se fez homem no seio da Virgem Santíssima por obra do Espírito Santo (Mt 1, 18-25;Lc 1, 26-38). Encarnando-se, o Filho de Deus tornou-se visível (Jô 1, 1-17; 6, 1-6). O ícone procura representar esse Deus divino e humano.

O ícone é uma espécie de sacramental, um sinal da graça, um auxílio para a vida espiritual dos cristãos. Assim como Jesus Cristo, Aquele que assume a história humana e torna-se a revelação concreta da Palavra de Deus, é a imagem de Deus invisível (Cl 1, 15; Heb 1,3), o ícone é a imagem artística e religiosa do Transcendente e Invisível, levando à oração e à meditação aqueles que o contemplam. Nossa Senhora do Perpétuo Socorro celebra-se no dia 27 de junho.

O significado do quadro

No quadro de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, tudo tem seu significado: as cores, as legendas, as atitudes e até os detalhes.

1. Abreviação grega de “Mãe de Deus.”

2. Coroa de ouro: o Quadro original foi coroado em 1867 em agradecimento dos muitos milagres feitos por Nossa Senhora em seu título preferido “Perpétuo Socorro”.

3. Estrela no véu de Maria, a Estrela que nos guia no mar da vida até o pôrto da.salvação.

4. Abreviatura de “Arcanjo S. Miguel”.

5. Abreviatura de “Arcanjo S. Gabriel”.

*6. São Miguel apresenta a lança, a vara com a esponja, e o cálice da amargura.

6. A boca de Maria é pequenina, para guardar silêncio, e evitar as palavras inúteis.

*7. São Gabriel com a cruz e os cravos, instrumentos da morte de Jesus.

7. Os olhos de Maria, grandes voltados sempre para nós, afim de ver todas as nossas necessidades.

8. Túnica vermelha, distintivo das virgens no tempo de N.Sra.

9. Abrev. de “Jesus Cristo”.

10. As mãos de Jesus apoiadas na mão de Maria, significando que por ela nos vêm todas as graças.

11. O fundo todo do Quadro é de ouro, e dele esplendem reflexos cambiantes, matizando as roupas e simbolizando a glória do paraíso para onde iremos, levados pelo perpétuo socorro de Maria. ‘O quadro de N. Sra. do Perpétuo Socorro é a síntese da Mariologia”.

12. Manto azul, emblema das mães daquela época. Maria é a Virgem-Mãe de Deus.

13. A mão esquerda de Maria sustendo Jesus: a mão do consolo que Maria estende a todos que a ela recorrem nas lutas da vida.

14. A sandália desatada – símbolo talvez de um pecador preso ainda a Jesus por um fio – o último – a Devoção a N. Senhora!

* Os números 6 e 7 apontam primeiro os anjos e, logo após, a boca e os olhos de Maria.

Oração

Ó Virgem Maria, Rainha de amor,
Tu és a Mãe Santa do Cristo Senhor!

Nas dores e angústias, nas lutas da vida,
Tu és a Mãe nossa por Deus concedida.

Perpétuo Socorro, tu és, Mãe querida!
Teus filhos suplicam socorro na vida.

Eucaristia, a beleza que salva!

Quando Dostoevskij afirmou que a beleza salvará o mundo, talvez nem tenha percebido a extensão de sua palavra. Tinha razão o autor quando imaginava a beleza dos sentimentos nobres, a beleza das árvores, das flores, do ar e dos milhões de criaturas que inundam o mundo, os ares e as águas. Certamente é maravilhoso o mar com sua multidão multiforme e multicor de peixes, o ar povoado de aves, as florestas com variadíssima fauna, a beleza da pessoa humana criada à imagem e semelhança de seu Criador. Em tudo, até na matéria inerte, nos minerais, nas pedras, na terra árida, há um banho de beleza que encanta. O homem extasiado diante de toda beleza é capaz de criar a arte que não é outra coisa senão a tentativa de reter a beleza em algum espaço que ele possa ficar contemplando com seus olhos ou ouvindo mais com o coração que com os ouvidos. Mais belo ainda é o que a mente humana pode criar em benefício das pessoas.

A beleza que contemplamos na terra não é outra coisa senão um tênue reflexo da perfeita e esplendorosa beleza de Deus. Nele tudo é belo, tudo é sábio, tudo é bom, tudo é santo. Talvez a maior expressão da beleza divina se expresse na sua misericórdia infinita e sem limites. Pelas suas criaturas, é capaz de gestos tão grandes de bondade que chega a ultrapassar os limites da razão, deixando que o mistério penetre até mesmo o espaço que ele não poderia conter, revelando a extensão de seu amor. O amor não conhece limites! Bem cantou o latim sobre o seio de Maria: Quia quem caeli capere non poterant gremio tuo contulisti.

Ao ouvir as leituras bíblicas relacionadas à Eucaristia, opcionais para a festa de Corpus Christi, penetra-se na maravilha do coração divino e se extasia diante de sua amorosa relação com os seres humanos. Prefigurando a encarnação do Verbo e sua ação salvífica, já no livro do Gênesis surge a misteriosa e inesperada figura de Melquisedec, rei de Salém (rei de paz), reconhecido por Abraão como sacerdote que oferece pão e vinho ao Deus Altíssimo. Tal imagem enigmática do primeiro livro bíblico é reconhecida pelo Salmo 109, como prefiguração do Messias quando diz: Tu és príncipe desde o dia em que nasceste; na glória e esplendor da santidade, como orvalho, antes da aurora, eu te gerei. Jurou o Senhor e manterá sua palavra: Tu és sacerdote eternamente, segundo a ordem do rei Melquisedec. A mesma comparação previsível é confirmada na carta aos Hebreus: …ele (Melquisedec) se assemelha ao Filho de Deus e permanece sacerdote para sempre (Hb. 7,3).

No evangelho de Lucas, na descrição do milagre da multiplicação dos pães, novamente o mistério da beleza do coração divino vem surpreender a razão humana ultrapassando limites para a demonstração do amor que salva, que alimenta, que dá vida. Lucas, certamente tendo em mente a instituição da Eucaristia na noite santa que precedeu o sacrifício do Calvário, relata o extraordinário fato com bonita coloração litúrgica, afirmando que o Senhor tomou os pães e os peixes apresentados, abençoou-os partiu-os e os deu aos apóstolos para que fossem distribuídos. Eis a beleza que salva: um alimento eucaristizado pelas sacrossantas palavras que se multiplica e não acaba, mas até sobra. Por isso podemos cantar a bons pulmões: eis o pão da vida, eis o pão do céu, que alimenta os homens que marcham para Deus!

Paulo, vinte anos após a ressurreição do Senhor, pôde agora anunciar tal maravilha relatando aos Coríntios: Na noite em que ia ser entregue, o Senhor Jesus tomou o pão e depois de dar graças, partiu-o e disse: isto é o meu corpo que é dado por vós. Fazei isto em minha memória!(I Cor 23-24) Prossegue Paulo narrando a doação do vinho transformado no próprio sangue do Salvador.

Ninguém entenderá estes relatos perfeitamente se prescindir do conceito de beleza divina que se revela no amor, o mais belo de todos os sentimentos humanos.

Quem pode duvidar ser maravilhoso o gesto de um Deus que é capaz de esvaziar-se de seu poder (Kênosis, em grego) para se reduzir a formas humanas, na encarnação do Verbo? Como já citado antes, Aquele que o céu não pode inteiro conter, coube no seio de uma mulher, dela nasceu para nos salvar. Milagre do amor! Este mesmo maravilhoso Deus, não se contentando em dar-nos seu Filho para morrer na cruz, quis mais: oferece-se em alimento místico e infinito na Eucaristia que os cristãos nunca renunciaram a celebrar frequentemente desde as primeiras comunidades. Como ensina o Atos dos Apóstolos, eles estavam sempre unidos para ouvir a Palavra, para oração em comum e para a fração do Pão. E Maria com eles (Cf. Atos 1 a 4).

Eis a razão de celebrar com tanta festa e entusiasmo a Solenidade de Corpus Christi: Eucaristia, a beleza que salva!

Jesus, Rei da Glória, o mediador entre Deus e a humanidade

Depois de 40 dias após a solenidade da Páscoa, temos a graça de celebrar a Solenidade da Ascensão do Senhor. A Igreja convida-nos a ter os olhos postos no Céu, a Pátria definitiva a que o Senhor nos chama.

No Credo, encontramos a afirmação de que Jesus “subiu aos céus e está sentado à direita do Pai”. A vida terrena de Jesus culmina no evento da Ascensão, quando Ele passa desse mundo ao Pai e é elevado à sua direita. Qual é o significado deste acontecimento? Quais são as consequências para a nossa vida? O que significa contemplar Jesus sentado à direita do Pai? Sobre isto, deixemo-nos guiar pelo evangelista Lucas.

São Lucas anota: “Aproximando-se o tempo em que Jesus devia ser arrebatado desse mundo, ele resolveu dirigir-se a Jerusalém” (Lc 9, 51). Enquanto “ascende” à Cidade Santa, onde se cumprirá o seu “êxodo” dessa vida, Jesus vê já a meta, o Céu, mas sabe bem que o caminho que o leva de volta à glória do Pai passa pela Cruz, pela obediência ao desígnio divino de amor pela humanidade. O Catecismo da Igreja Católica afirma que “a elevação sobre a cruz significa e anuncia a elevação da ascensão ao céu” (n. 661). Também nós devemos ter claro, na nossa vida cristã, que o entrar na glória de Deus exige a fidelidade cotidiana à Sua vontade, mesmo quando requer sacrifício, requer às vezes mudar os nossos programas. A Ascensão de Jesus, segundo os Atos dos Apóstolos, acontece concretamente no Monte das Oliveiras, próximo ao lugar onde havia se retirado em oração antes da paixão para permanecer em profunda união com o Pai: mais uma vez vemos que a oração nos dá a graça de viver fiéis ao projeto de Deus.

A elevação de Jesus na Cruz significa e anuncia a elevação da Ascensão ao céu. Jesus Cristo, o único Sacerdote da nova e eterna Aliança, não “entrou em um santuário feito por mão de homem… e sim no próprio céu, a fim de comparecer agora diante da face de Deus a nosso favor” (Hb 9,24). No céu, Cristo exerce em caráter permanente seu sacerdócio, “por isso é capaz de salvar totalmente aqueles que, por meio dele, se aproximam de Deus, visto que ele vive eternamente para interceder por eles” (Hb 7,25). Como “sumo sacerdote dos bens vindouros” (Hb 9,11), ele é o centro e o ator principal da liturgia que honra o Pai nos Céus. (cf. Cat. §662)

Por “estar sentado à direita do Pai”, entendemos a glória e a honra da divindade, onde aquele que existia como Filho de Deus antes de todos os séculos, se sentou corporalmente junto do Pai, como homem também, com a sua carne glorificada. Assim, através de Jesus, a humanidade, outrora expulsa do Paraíso, agora volta para o convívio de Deus. Daí, Cristo glorioso vai derramar o Espírito Santo sobre a Igreja para que ela cumpra a sua missão de resgatar os filhos de Deus.

O sentar-se à direita do Pai significa também “a inauguração do Reino do Messias, realização da visão do profeta Daniel no tocante ao Filho do Homem: “A Ele foram outorgados o império, a honra e o reino, e todos os povos, nações e línguas o serviram. Seu império é um império eterno, que jamais passará, e seu reino jamais será destruído” (Dn 7,14). A partir desse momento, os Apóstolos se tornaram as testemunhas do “Reino que não terá fim”. (Cat. §664)

Na Carta aos efésios, São Paulo diz: “Deus manifestou a sua força em Cristo quando o ressuscitou dos mortos e o fez sentar-se à sua direita no céu, bem acima de toda autoridade, poder, potência, soberania ou qualquer título que se possa nomear não somente neste mundo, mas ainda no futuro. Sim, ele pôs tudo sob os seus pés e fez dele, que está acima de tudo, a Cabeça da Igreja, que é o seu corpo, a plenitude daquele que possui a plenitude universal” (Ef 1, 20-23).

A Igreja ensina que “Jesus, rei da glória, subiu ante os anjos maravilhados ao mais alto dos Céus, e tornou-se o mediador entre Deus e a humanidade redimida, juiz do mundo e Senhor do universo. Ele, nossa Cabeça e princípio, subiu aos Céus não para afastar-se de nossa humildade, mas para dar-nos a certeza de que nos conduzirá à glória da imortalidade… Ele, após a ressurreição, apareceu aos discípulos e, à vista deles, subiu aos céus, a fim de nos tornar participantes da sua divindade”. (Prefácio da Ascensão I, II)

Por isso, na Solenidade da Ascensão do Senhor a Igreja reza: “Ó Deus todo poderoso, a Ascensão do vosso Filho já é nossa vitória. Fazei-nos exultar de alegria e fervorosa ação de graças, pois, membros do seu corpo, somos chamados na esperança a participar da sua glória”. Assim, a Ascensão de Jesus é uma preparação e antecipação da glorificação também de cada cristão que O segue fielmente. Significa que o cristão deve viver com os pés na terra, mas com o coração no céu, a nossa pátria definitiva e verdadeira, como São Paulo lembrou aos filipenses: “nós somos cidadãos do Céu” (Fl 3, 30).

Em vista da Ascensão de Jesus ao Céu, São Paulo nos exorta: “Se, portanto, ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus. Afeiçoai-vos às coisas lá de cima, e não às da terra. Porque estais mortos e a vossa vida está escondida com Cristo, em Deus… Mortificai, pois, os vossos membros no que têm de terreno: a devassidão, a impureza, as paixões, os maus desejos, a cobiça, que é uma idolatria” (Col 3, 1-3). O cristão vive neste mundo sem ser do mundo, caminha entre as coisas que passam abraçando somente as que não passam.

A Ascensão não indica a ausência de Jesus, mas nos diz que Ele está vivo em meio a nós de modo novo; não está mais em um lugar preciso no mundo como o era antes da Ascensão; agora está no senhorio de Deus, presente em cada espaço e tempo, próximo a cada um de nós. Na nossa vida nunca estamos sozinhos: temos este advogado que nos espera, que nos defende. Nunca estamos sozinhos: o Senhor crucificado e ressuscitado nos guia; conosco há tantos irmãos e irmãs que no silêncio e na ocultação, em sua vida de família e de trabalho, em seus problemas e dificuldades, em suas alegrias e esperanças vivem cotidianamente a fé e levam, junto a nós, ao mundo, o senhorio do amor de Deus, em Cristo Jesus ressuscitado. Por isso, devemos dar graças a Deus!

Os significados da Páscoa na Igreja

A Quaresma, que tem como finalidade não só preparar a Igreja para a Páscoa, mas fazer com que o mistério da Páscoa seja vivido já na sua primeira vertente de paixão, pode ser considerada, sob a guia dos textos litúrgicos, como subida com Cristo para Jerusalém, a fim de partilhar o seu mistério pascal. Nos textos bíblicos deste tempo litúrgico volta, mais uma vez, este aspecto fascinante.

“Caminhar a Jerusalém” não significa, para Jesus, apenas uma peregrinação à cidade santa, mas tem um preciso significado messiânico e teológico, que os evangelistas, com diferentes acentos, colocam em relevo. Jesus vai a Jerusalém para aí cumprir a vontade do Pai. Em Jerusalém, acontecerá o encontro decisivo entre Jesus e o sinédrio judaico, totalmente incapaz de se abrir à luz do evangelho, porque obcecado pelo formalismo religioso e pela paixão. Por isso, decidirá “matar Jesus” (Jo 11,53).

Os apóstolos têm dificuldade para compreender o significado desse acontecimento repetidamente anunciado por Jesus. Também eles estão impregnados de messianismo terreno e pensam nos primeiros lugares do Reino. Jesus, então, durante a viagem para Jerusalém, vai iniciando-os gradualmente no mistério da cruz, com o ensinamento e a experiência da transfiguração. A sua palavra ilumina o significado do evento, a transfiguração antecipa a experiência pascal.

Também para a comunidade cristã, a Quaresma constitui-se em peregrinação a Jerusalém, isto é, a morte e ressurreição de Cristo. A Quaresma, portanto, é um novo êxodo, um retorno do exílio para Jerusalém, isto é, para a Páscoa de Cristo, que nos edifica como Igreja.

Seguindo este itinerário, chega-se com fé mais iluminada à Semana Santa ou “grande semana”. São dias em que a liturgia celebra, passo a passo, os últimos acontecimentos da vida terrena de Jesus. Por isso, diremos com Paulo VI: “se há uma liturgia, deveria encontrar-nos juntos, atentos, solícitos e unidos para uma participação plena, digna, piedosa e amorosa, esta é a liturgia da grande semana. Por um motivo claro e profundo: o mistério pascal, que encontra na Semana Santa a sua mais alta e comovida celebração, não é simplesmente um momento do ano litúrgico; ele é a fonte de todas as outras celebrações do próprio ano litúrgico, porque todas se referem ao mistério da nossa redenção, isto é, ao mistério pascal”.

Por isso, é impensável que um católico não “faça a Páscoa”, não celebre a Páscoa, a não ser por razões de dificuldades de locomoção ou falta de celebração local. Somos chamados a viver intensamente esses dias.

A Semana Santa, chamada popularmente de “semana maior”, começa com o Domingo de Ramos da Paixão do Senhor. É a semana em que recordamos a Paixão, a Morte e a Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo, ato supremo da redenção da humanidade.

Domingo de Ramos: Neste domingo, aclamamos Jesus como o Messias que vem realizar as promessas dos profetas e instaurar definitivamente o Reino de Deus, da paz, da fraternidade e do amor. Vem nos salvar.

Jesus, humildemente, entra em Jerusalém montado em um manso jumentinho, pois ele é o príncipe da paz. Não entra com cavalaria de guerra, pois o cavalo é instrumento bélico, expressão da força e do poderio militar da época. Foi aclamado e reconhecido, por muitos, como o rei dos reis. Os ramos são sinais e testemunho da fé em Cristo e na sua vitória pascal. Neste domingo é feita a coleta do gesto concreto da Campanha da Fraternidade, a ser entregue nas paróquias. Esta coleta é fruto da penitência quaresmal.

Tríduo Pascal (Quinta, Sexta e Sábado): O Tríduo Pascal da Paixão e Ressurreição do Senhor começa com a Missa vespertina da Última Ceia, possui o seu centro na Vigília Pascal, “a mãe de todas as vigílias (S. Agostinho)” e encerra-se com as Vésperas do Domingo da Ressurreição.

Missa da Ceia do Senhor (Quinta-feira Santa): Recorda-nos a Ceia do Senhor, a última ceia, quando Ele prediz sua Paixão e Morte, e despede-se dos apóstolos. Neste dia, Jesus instituiu a o sacramento da Eucaristia. Na celebração, o sacerdote lava os pés de doze pessoas convidadas, na tradicional cerimônia chamada “Missa do Lava-pés”, recordando o gesto de Jesus de lavar os pés de seus discípulos e a dizer: “Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei”, significando que devemos servir uns aos outros com total humildade, gratuidade e amor. Ao final da missa se faz a Transladação do Santíssimo Sacramento e, em seguida, a Adoração.

Paixão do Senhor (Sexta-feira Santa.): Neste dia a Igreja recomenda o jejum e abstinência total de carne, e acompanha em silêncio os passos de Jesus em seu sofrimento e condenação até sua entrega total com a morte na cruz. Não se celebra missa ou qualquer sacramento e os fiéis comungam as sagradas hóstias consagradas na Quinta-feira Santa.

A celebração central deste dia é a das 15 horas, quando, segundo a tradição, Jesus morreu. Esta celebração se divide em quatro partes: Liturgia da Palavra, Oração Universal, Adoração do Senhor na Cruz e Comunhão. É dia de total silêncio e reflexão.

Vigília Pascal (Sábado Santo): Celebramos a Vigília Pascal no sábado à noite. A Ressurreição de Jesus é o milagre do começo da vida, vida nova a partir da morte. A ressurreição, além de realizar as promessas das Escrituras Sagradas, é prova definitiva de que Jesus é Deus.

O Círio Pascal, aceso com o fogo novo, luz que surge das trevas, representa Cristo ressuscitado, vitorioso sobre a morte e Senhor da história, luz que ilumina o mundo. Na vela, estão gravadas as letras gregas Alfa e Ômega, que querem dizer: “Deus é o princípio e o fim de tudo”. A rica celebração da Palavra reaviva em nós a história da salvação, e o rito do Batismo nos faz renovar as promessas batismais. A Eucaristia festiva coroa essa grande vigília.

Domingo da Páscoa do Senhor: Páscoa significa passagem. A Páscoa de Cristo é sua passagem da morte na cruz para a ressurreição. É sua vitória plena e definitiva sobre a morte e todos os males. Desse modo, a ressurreição de Jesus mudou totalmente a história da humanidade e de cada ser humano.

A páscoa cristã é a vida nova em Cristo ressuscitado. Portanto, busquemos esta vida nova – vida reconciliada com Deus e com o próximo. Busquemos também nesta semana intensificar ainda mais a nossa oração e a nossa participação dos eventos centrais na vida de Jesus: Paixão, Morte e Ressurreição. É o grande grito que nos faz cumprimentar a todos: Cristo Ressuscitou! “Verdadeiramente ressuscitou”.

Convido todos os meus diocesanos a viverem intensamente a Semana Santa. Serão momentos de passagem de mortificação, de associação de nosso coração à morte de Cristo, para que, celebrando a Sua Gloriosa Ressurreição, o centro de nossa fé, podermos dizer como a Sagrada Escritura: “Se com Cristo nós morremos, com Ele nós ressuscitaremos!”.

Abençoada Semana Santa para todos e que vivamos de maneira pura e graciosa os mistérios do Senhor Jesus!

São José: Um exemplo para os trabalhadores

Comemorado no dia 19 de março de 2015, o Dia de São José nos lembra do esposo de Maria e pai terrestre do menino Jesus. O Santo é considerado o padroeiro universal das Igrejas Ortodoxa, Anglicana e Católica. É ainda o “Padroeiro dos Trabalhadores” porque foi um homem sincero e fiel a esposa e teve dedicação paternal ao filho de Deus.

Por isso neste dia especial falaremos um pouco da relação do trabalho e São José. Começamos com o tema do trabalho, que apresenta muitos problemas relacionados à sua compreensão. Há os que o considera um castigo, e sonham em não trabalhar. Quando Deus colocou no paraíso o homem recém-criado, deu-lhe a ordem: “Possuí e dominai a terra” (Gn 1,28). Portanto, o trabalho decorre da própria condição humana de criatura e da sua função no mundo. Para ser senhor, pontífice do universo, o homem tem que se submeter à lei do trabalho.

O trabalho faz parte da evolução cultural do homem, no decurso da história. Dominando a utilização do fogo e inventando instrumentos que lhe proporcionaram maior segurança e destreza, ele tem sido capaz de transformar o mundo. Mas os recursos incomensuráveis, que o foram encontrados têm que ser usados de acordo com destinação determinada por Deus. Explorar a terra e o mundo criado, contra a sua finalidade, é ir contra o próprio Criador.

Defendendo a dignidade do trabalho, olhamos para São José. Ele era de família nobre, da descendência de Davi, mas foi um simples trabalhador, conforme nos ensina a própria Tradição. Segundo o termo usado por São Marcos, José era “operário”, o que englobava, na época, os ofícios de marceneiro, ferreiro e pedreiro. São José era versado em todos eles. Segundo os critérios atuais, nós o classificaríamos como um trabalhador qualificado. Exerceu o seu ofício não só em Nazaré da Galiléia, mas também no Egito, durante o tempo em que a Sagrada Família lá esteve exilada, fugindo de Herodes.

A beleza do trabalho, feito por José e por Maria, foi imitada pelo próprio Filho de Deus, de quem José era o pai adotivo. E nisto nós reconhecemos uma das grandezas deste homem extraordinário: ensinar ao Menino-Deus a arte de construir casas e fazer móveis, atividade silenciosa, que Ele quis exercer durante um período de 20 a 25 anos, dentre os 33 que viveu na terra. Por isso José, chamado “O Justo”, é modelo dos operários. Trabalhava por amor a Cristo e a sua esposa, Maria Santíssima.

Se não tivermos amor àquilo que fazemos, nosso trabalho não vai resultar de forma positiva. Até a nossa missão de padres e de bispos, se não a desempenharmos com alegria e como doação ao povo que nos foi confiado, não atingirá sua finalidade.

Peço que São José, o bom, justo e santo operário, interceda pelos desempregados, pelos que recebem salários injustos, pelos aposentados com rendimentos indignos, pelos que subsistem na instabilidade da economia informal, e pelos que vivem ao relento, sem sequer uma moradia. Que sobre todos, especialmente os mais necessitados, venha a bênção e a proteção de São José, padroeiro dos operários. Que todos eles, sem distinção, contem com nossa simpatia e solidariedade!

A importância das mulheres na sociedade

Os bispos da CNBB em uma ocasião enviaram uma mensagem à todas as mulheres pelo Dia Internacional da Mulher, comemorado no dia 08 de março. As palavras de agradecimento são direcionadas para todas as filhas de Deus, neste dia tão especial.

A mensagem agradece “às mulheres por sua vocação e missão na Igreja hoje” e destaca a “sua específica contribuição na construção de uma sociedade justa, fraterna e solidária”.

Os Bispos citaram a belíssima Carta às Mulheres , do Beato João Paulo II, para dizer obrigado “à mulher-mãe, que se faz ventre do ser humano na alegria e no sofrimento de uma experiência única e que se torna o sorriso de Deus pela criatura que é dada à luz; à mulher-esposa, que une o seu destino ao de um homem, numa relação de recíproco dom, ao serviço da comunhão e da vida; à mulher-filha e mulher-irmã, que levam ao núcleo familiar, e depois à inteira vida social, as riquezas da sua sensibilidade, intuição, generosidade e constância; à mulher-trabalhadora, empenhada em todos os âmbitos da vida social, econômica, cultural, artística, política, pela contribuição indispensável que dá à elaboração de uma cultura capaz de conjugar razão e sentimento, à edificação de estruturas econômicas e políticas mais ricas de humanidade; à mulher-consagrada, que se abre com docilidade e fidelidade ao amor de Deus; à mulher, pelo simples fato de ser mulher que, com a percepção que é própria da sua feminilidade, enriquece a compreensão do mundo e contribui para a verdade plena das relações humanas” (cf. Carta às Mulheres. João Paulo II, 1995).

A nota agradece “às mulheres cuja presença e atuação marcam fortemente a vida da nossa Igreja”, lembrando a “vocação evangelizadora, vivida no exercício dos vários ministérios”, fundamental “à Igreja no desempenho de sua missão de tornar presente entre nós o Reino de Deus”.

Os Bispos também recordaram as inúmeras situações de violação dos direitos e da dignidade da mulher e neste contexto, “a CNBB reafirma o apelo do Documento de Aparecida: “É urgente escutar o clamor, muitas vezes silenciado, de mulheres que são submetidas a muitas maneiras de exclusão e violências em todas as suas formas e em todas as etapas de suas vidas” (Documento de Aparecida n. 454).

“Que Maria, modelo de mulher, seja sempre inspiração para todas as mulheres na vivência de sua vocação ao amor e ao cuidado da vida, em todas as suas dimensões, lutando por uma sociedade igualitária, de fraternidade e de paz”; termina a mensagem do Conselho Permanente da CNBB.

Quaresma: tempo para partir, para orar, para amar e perdoar!

Em sua Mensagem para a Quaresma de 2015, o papa Francisco aborda o tema da indiferença e faz uma reflexão muito oportuna para os tempos que correm, marcados pela exasperada busca do gozo individual da vida.

Fala da indiferença diante dos sofrimentos do próximo, das muitas tragédias humanas em curso, diante das quais poderíamos ficar, simplesmente, indiferentes ou neutros, uma vez que isso se passa lá longe e não nos ameaça de perto…

Há o drama dos migrantes e do tráfico humano, tão sentido na Europa meridional, sobretudo na Itália e na Espanha; o Mediterrâneo é rota de chegada de muitos imigrantes clandestinos à Europa, traficados com frequência por organizações criminosas, que os exploram e, depois, os abandonam à própria sorte. Muitas milhares dessas vítimas já pereceram nas águas do Mediterrâneo.

Também há as tragédias das guerras em curso e de ações selvagens de grupos intolerantes e terroristas, que tentam impor seu poder aos outros pelo terror. Muitos cristãos e outros grupos religiosos estão sendo vítimas dessa fúria insana. Este é um tempo de muitos mártires!

Enquanto essas coisas acontecem longe de nós, tendemos a ficar indiferentes ao drama de quem sofre. Infelizmente, as notícias e imagens sobre as tragédias humanas tendem a despertar mais curiosidade do que solidariedade. Ouvimos falar de pessoas que foram seqüestradas, decapitadas, degoladas, crucificadas, queimadas vivas e isso nos parece coisa de cinema… E ficamos indiferentes; afinal, não poderíamos fazer nada mesmo para mudar as coisas…

Mas não faltam dramas humanos bem perto de nós; nem por isso nos envolvemos. Temos sempre uma boa razão para justificar nosso não envolvimento com os sofrimentos alheios. Mas não deveria ser assim e o Papa nos chama a mudar nossa atitude, como parte de nossa conversão quaresmal. Os cristãos são chamados a se envolver com os outros: “se um membro, todos os demais membros sofrem com ele” (1Cor 12,26). O exemplo de Cristo Jesus, que se solidarizou conosco e assumiu nossas dores e as carregou em seu corpo deveria ser nossa referência.

O cristão experimenta o amor de Deus e a solidariedade de Cristo: “tanto Deus amou o mundo, que lhe enviou se Filho único, para que não pereça todo aquele que nele crer, mas tenha a vida eterna” (cf Jo 3,16). Por isso, exorta o Papa, os cristãos e cada uma das organizações da Igreja devem ser “ilhas de solidariedade” num mundo cada vez mais fechado à fraternidade.

“Onde está teu irmão?” (Gn 4,9); esta pergunta, feita por Deus a Caim, depois do assassinato de Abel, continua a ser feita a cada um de nós também, desafiando-nos a ficar atentos às situações vividas pelos outros, não buscando apenas o próprio bem. A Igreja é um corpo e, em cada uma das nossas comunidades eclesiais, deveria ser voltada uma atenção especial para os membros mais frágeis, os pobres, os doentes e os pequeninos. Um amor meramente ideal e universal não pode deixar sem atenção os Lázaros concretos que jazem à frente das nossas portas…

A Quaresma é um tempo propício para nos voltarmos para os outros; a Campanha da Fraternidade, promovida pela CNBB todos os anos, vai nessa direção e nos aponta sempre para alguma dimensão específica da vivência do amor ao próximo, inseparável do amor a Deus. O Papa nos convida a superarmos a “vertigem da indiferença”, saindo do fechamento em nós mesmos e voltando nossa atenção ao próximo, com suas necessidades e sofrimentos.

Nossa Senhora de Lourdes, a história da Santíssima Virgem

Nesta quarta-feira (11) é comemorado, com muito louvor e alegria, mais um aniversário de Nossa Senhora de Lourdes. A santa tem uma história de testemunho e fé, e foi reconhecida como uma verdadeira representante do amor de Cristo e misericórdia de Deus.

As aparições de Nossa Senhora de Lourdes começaram no dia 11 de fevereiro de 1858, dizem que apareceu em 1874, quando Bernadette Soubirous, camponesa com 14 anos, foi questionada por sua mãe, pois afirmava ter visto uma “dama” na gruta de Massabielle, cerca de uma milha da cidade, enquanto ela estava recolhendo lenha com a irmã e uma amiga. A “dama” também apareceu em outras ocasiões para Bernadette até os dezessete anos.

A Mensagem que a Santíssima Virgem deu em Lourdes, pode ser resumida em alguns pontos: o agradecimento pela definição do dogma da Imaculada Conceição, que tinha sido declarado quatro anos antes por Pio IX (1854), a importância da oração, da penitência e da humildade, a recitação do Santo Rosário, a necessidade de conversão e a escolha de Bernadete Soubirous como instrumento de sua mensagem, reafirmando à um mundo que julga tudo conquistar pelo poder, aquilo que diz São Paulo: “Deus escolheu o que é fraco no mundo, para confundir os fortes” (1Cor 1,27)

A Igreja lança e nos motiva a termos um olhar atento à Lourdes. Suas aparições foram aprovadas, mediante carta pastoral de seu bispo, bem como seu caráter sobrenatural e a vida tão autêntica da vidente Bernadete que foi canonizada em 8 de Dezembro de 1933. Seu corpo incorrupto ainda pode ser visitado no Convento de Nevers, dentro de um féretro de cristal. O Papa João XXIII no encerramento do centenário das aparições de Lourdes, recordava o seguinte: “A Igreja, pela voz de seus Papas, não cessa de recomendar aos católicos que prestem atenção à mensagem de Lourdes e o Papa Pio X chamou o santuário de Lourdes: “sede do poder e da misericórdia de Maria, onde ocorreram maravilhosas aparições da Virgem”.

Hoje também celebramos o dia do enfermo proclamado no dia 21 de outubro de 1992, pelo Santo Padre o Papa João Paulo II, que foi o primeiro Papa a peregrinar até Lourdes.

Rogamos à Santíssima Virgem de Lourdes pela intercessão de Santa Bernadete que o coração da humanidade possa retornar seu olhar à Cristo e pelo testemunho de humildade, penitência e oração de Lourdes possa ser curado de todas as doenças físicas, morais, sociais e espirituais que o afasta de Deus e dos irmãos.